I – Introdução

O movimento em direção a sustentabilidade se iniciou nas décadas de 50 e 60 com construções voltadas para economia de energia, naturalmente resfriadas e com reaproveitamento de materiais além do aproveitamento e reuso de água e consequente baixa emissão de CO2.

Já procura-se projetar construções em direção ao conceito “Zero Energy” em que toda energia consumida pela edificação é gerada localmente, temos casos de museus e escolas públicas no exterior construídos dentro deste conceito.

Também observamos cidades modernas sem coleta de resíduos sólidos, onde o lixo é sugado através de tubulação a vácuo e enviado para tratamento a uma localidade a 50km de distância sem utilização de caminhões, reduzindo a poluição sonora e do ar.

Dentro dessa cultura, foram criadas certificações com selos de qualidade para as novas construções, como LEED, BREEAM, DGNB, CASA AZUL e outros. Cada uma com suas categorias, Platinum, Gold e Silver por exemplo. Isso informa ao futuro comprador / usuário do imóvel o quanto a construção é sustentável o que por consequência implica em cota condominial de menor valor. Não é por acaso que estes mesmos imóveis conseguirão um valor maior tanto para venda como para locação.

Isso é consequência do projeto ter considerado aspectos como, insolação na(s) fachada(s), espessuras dos vidros, entrada e saída de ar na edificação, utilização de painéis solares, reuso de água, utilização de materiais adequados e outros aspectos da sustentabilidade.

II – Abordagem para Gestão Predial de Condomínios

Com relação aos condomínios residenciais e comerciais já existentes, podemos aplicar esta mesma cultura de sustentabilidade para as edificações construídas?

A resposta é sim!

Vários condomínios já tratam o assunto através de ações direcionadas pelos síndicos e administradores, entretanto podemos melhorar a eficiência e eficácia através de algumas ações com aplicação de conceitos de sustentabilidade.

Os programas de ação nos Sistemas Prediais seguem necessariamente algumas etapas que devem ser aplicadas de forma sequencial;

A – Redução da Demanda (hábitos de consumo / comportamento)

B – Aumento da Eficiência (equipamentos e controles)

C – Reaproveitamento dos recursos

D – Geração Local

II.1 Redução da Demanda (hábitos de consumo / comportamento)

As ações neste tópico envolvem participação dos condôminos e iniciativas dos síndico / administrador.

Para conservação de Energia:

– Conscientização dos condôminos quanto ao bom senso no consumo de energia,

– Substituição das lâmpadas incandescentes e eletrônicas por lâmpadas de LED, mas atenção , não basta trocar por lâmpadas LED , tem que ser de alta eficiência,

– Colocação de sensores de presença para iluminação,

– Verificação da real necessidade dos pontos de iluminação atuais,

– etc

Para conservação de Água:

– Conscientização dos condôminos de forma a se evitar o desperdício de água,

– Verificação de vazamentos,

– Substituição / colocação de arejadores,

– Substituição dos sistemas de descarga por sistemas econômicos (caixa acoplada),

– Lavagem de autos com água de reuso somente (quando possível)

II.2 Aumento de Eficiência (equipamentos e controles)

Para sistemas de Energia e água:

– Bombas de recalque com partida reduzida utilizando inversores com rampa de partida controlada.

– Sistemas de pressurização com pressões reduzidas

– Válvulas de uso contínuo com elemento esférico ou cilíndrico

– Manutenção e preservação de forma regular dos equipamentos, para aumentar a vida útil.

II.3 Reaproveitamento de recursos

Para o sistema de água:

Análise e estudo da instalação de um sistema de coleta e aproveitamento de águas de chuva.

Já possuímos leis federais, estaduais e municipais que regulam o aproveitamento de águas de chuva nos condomínios. O uso destas águas pode ser aplicado para os seguintes fins:

– Vasos sanitários,

– Lavagem de autos,

– Lavagem de Pisos,

– Rega de jardins,

– Lavagem de roupas (com um tratamento adicional).